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Coleção forçada
Tem gente que curte colecionar coisas; desde as mais simples, que não passam de cacarecos até as mais sofisticadas. Minha irmã, por exemplo, adora bolsas e outros acessórios. Já chegou a publicar fotos lá no seu blog, mostrando algumas peças da sua magnífica coleção.
Eu, por minha vez, coleciono cintos. Não que eu curta cinto. Afinal, o modelo masculino, via de regra, só serve mesmo para compor o visual ou segurar as calças, passando quase imperceptível. Bom, a não ser aqueles de cowboy, com direito a fivelas gigantescas que mais parecem brasões, mas desses eu não gosto.
A minha coleção é de responsabilidade da minha prodigiosa memória, que vive me pregando peças e me causando enormes embaraços.
Quando meu irmão se casou, lá fui eu para São Paulo, testemunhar o casório, como padrinho-testemunha que fui. Esse dia foi uma correria, com mulheres se atrasando no salão muito mais que a noiva, que, comportada, esperou um bom tempo na porta do local de eventos a chegada da mãe do noivo, para que, finalmente, pudessem consumar o ato (o casamento, gente!).
Eu também cheguei com a mãe do noivo e o meu atraso se deu justamente pela minha habilidade em esquecer o que não se deve. Isto porque, ao acabar de me arrumar (eu estava num hotel), notei que havia esquecido o famigerado do cinto. Bom, eu poderia fechar o paletó e, depois do "sim dos noivos", pegaria um cinto na casa do meu irmão. Acontece que eu havia emagrecido 6kg e o terno tinha sido comprado quando os mesmos ainda adornavam minha silhueta. Ou seja, as calças, praticamente, estavam caindo. O risco de um vexame era enorme.
Para minha sorte, meu cunhado chegou para me buscar. Sem pensar duas vezes, depois que lhe contei meu drama, ele arrancou o cinto dele e disse: "Toma, eu fecho o terno e depois a gente vê o que pode ser feito". Vale ressaltar que nesse dia meu cunhado salvou quase a família inteira, mas isso é outro causo.
Não só essa, mas várias foram as ocasiões em que, sem cunhado para me salvar, tive que me valer de uma loja mesmo, onde pudesse comprar um cinto novo. Assim foi na formatura de Karine, no casamento de uma amiga que mora aqui e em mais três oportunidades em que estava trabalhando fora da cidade.
Já não sei se isso é sina ou vício!
Escrito por Mateus às 11h45
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